domingo, 17 de outubro de 2021

Enquanto você não vem (parte IV)

E o boy dos anos 80 foi entrando na minha vida de uma forma bem legal! Na medida do possível, fui  apresentando ele  aos meus melhores amigos e familiares. Nossa, ele atendia a todas as minhas expectativas!  Prestativo, simpático com todo mundo. Tinha tudo pra ser aquele que eu esperei.  Mas havia um certo comportamento que me intrigava.  Ele exigia que minha atenção fosse só dele e implicava quando eu falava com meus amigos. E olha só, eu falava somente por vídeos chamadas pois estávamos ainda confinados em casa por causa da pandemia. As únicas pessoas que eu tinha contato presencial,  era com ele e com minha filha.

Boas notícias, chegou a Vacina! Eu já estava me animando com a possibilidade voltar a sair,  ver gente logo após tomar a primeira dose de acordo com a idade. Sinto que depois que eu tomei a primeira dose,  ele começou a demonstrar um comportamento obsessivo.  Em várias situações, eu me senti coagida e diminuída. Ele nunca ficava feliz com as minhas conquistas e sempre brigava por eu não chamá-lo para "me ajudar". Muitas coisas eu fazia sozinha e não achava necessário acioná-lo até para trocar uma lâmpada! Ele tinha um jeito muito estranho de extravasar a raiva (socando parede, gritando, atirando coisas....), mas só quando estávamos sozinhos. Numa dessas crises, o vizinho até bateu no portão pra me perguntar se eu precisava de ajuda. Com vergonha, eu disse que não e que era bom saber que poderia contar com ele se eu precisasse. 

Um dia ele se irritou muito por eu ter demorado a responder a mensagem dele. Isso rendeu horas de ofensas pelo celular. Eu bloqueei ele no meu celular pra evitá-lo. Para chamar a minha atenção, me marcou no Facebook me chamando de ridícula. Ele não interagia em nada no meu perfil  resolveu publicar só porque o  bloqueei pois já estava passando dos limites. No dia seguinte, ele veio até minha casa vestindo a roupa que eu mais gostava que ele usasse... e disse que conversaríamos como pessoas decentes. Eu estava sozinha em casa. Deixei entrar, sentei no sofá e ele se sentou no meio da porta da sala e pediu que eu só ouvisse.  Começou a dizer que tudo era culpa minha, que eu era fria, que tinha que ser mal tratada e que eu não sabia fazer nada junto, que eu não precisava dele para nada,  que eu não sabia dar valor ao amor que ele sentia por mim... e depois mudava o discurso dizendo que tudo aquilo era pra ficar perto de mim.  Eu no sofá, ouvindo. Até que ele levantou-se e pegou a cadeira que estava sentado e com muito ódio no olhar, ameaçou me acertar com ela. Eu me encolhi e disse que chamaria a polícia. Quando viu que realmente eu estava ligando, ele saiu da minha casa. Depois de todo essa cena, eu soube por um familiar dele que eu não era a primeira namorada dele que tinha passado por isso. Então, registrei boletim de ocorrência.

Hoje, o "boy dos anos 80" não pode se aproximar de mim por causa da medida protetiva que  foi concedida por causa desse relato. Terminamos dessa forma terrível. Mesmo com a medida protetiva ele ainda me manda e-mails pedindo perdão, com um discurso típico de homem agressor. Eu ignoro e ja avisei que se continuar vou denunciar novamente. Estou  de cabeça erguida e orgulhosa de mim por não ter permanecido em um relacionamento em que o único futuro seria  eu de cabeça  baixa, afastada dos amigos e com medo. Pensei, qual o exemplo eu estou dando para minha filha? Ser independente, inteligente e alegre  não é um defeito.  

E sigo vivendo,  não desisti do amor. Ainda acho que aquela pessoa vai aparecer e me fazer esquecer aqueles que não souberam me amar. 


Leia também

  Enquanto você não vem (parte III)

Enquanto você não vem (parte II)

Enquanto você não vem (parte I)

Continue a nadar!

Sou um tipo de pessoa que gosta de fantasiar, de transformar em lúdico as coisas mais sérias para que não fiquem tão pesadas.  E onde trabalho, quando qualquer pessoa muda de área ou tem seu ciclo encerrado na empresa, eu digo: "Tocou no popô!" ou "Fulano foi nadar em mar aberto". É uma referência a animação Procurando Nemo , onde depois de tocar no casco do barco que está em mar aberto, um mergulhador retira Nemo do recife! 

Quando recebi esta mensagem, eu me assustei e fiquei triste. Este meu amigo é meu comparsa em várias frases baseadas em desenhos e filmes. E essa mensagem mexeu comigo. O mar pode ser assustador! Tem ondas muito fortes, alguns abismos e perigos!! Tem todo tipo de criatura das mais amigáveis as que querem te devorar. 

Poxa, meu amigo está em mar aberto, quanta coisa pode acontecer? Está preparado? Pensando bem, o mar tem muitas oportunidades e é muito diverso, e na dúvida, fale até baleeis se precisar! Desafios fazem parte do nosso crescimento! Esse meu recadinho para quem teve que sair do "recife" e que agora está nadando em mar aberto. Lembre-se: "Continue a nadar, continue a nadar..."




quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Enquanto você não vem (parte III)

Sabe "o boy dos anos 80"? Aquele da parte II, então, mesmo com o desencontro, ele voltou. Nos vimos, beijamos  e.... enfim. Nos falamos todos  os dias, trocando desejos, sonhos  e relembrando um tempo  que vivemos  as nossas vidas antes de tudo isso... 
Mas veio a pandemia, um vírus  devastador, estava longe da gente ainda, era coisa "lá de fora". Mas, do nada: NÃO SAIM DE CASA! Uma pandemia foi declarada e obrigou todo mundo  a ficar em casa. Nada de cinema, barzinhos,  motéis... nada. Quem está solteiro vai ficar... quem está casado, vai ter que suportar. . Quando dei por mim, ele  estava na minha cozinha  fazendo hambúrguer. Nos vimos juntos! Cozinhando, passando  álcool gel nas mãos, determinando quem iria no mercado buscar  o que precisaríamos para o almoço daquele domingo. Passávamos todos os finais de semana juntos. Durante a semana era vida normal e troca de mensagens. Éramos os quarentões na quarentena.  Seguimos á risca o que a pandemia determinou,  o bom foi que permanecemos juntos.  Será que é o boy dos anos 80 aquele que eu tanto espero?

domingo, 26 de janeiro de 2020

Enquanto você não vem ..... (parte II)

Enquanto  você  não  vem, me aventurei pelos aplicativos  de relacionamentos e achei bem divertido. Passei muita gente para a esquerda tocando no X e poucos para a direita tocando no coraçãozinho. Cansei de brincar, até  que chegou uma notificação  de que alguém  tinha me "curtido", fui olhar e vi um cara boa pinta, com cara de marrento, mesma idade que eu e retribuí o coraçãozinho.

Passou um tempinho e ele me chamou pra conversar no privado. Ele começou  a falar que conhecia o lugar  que eu morava, pois estava bem próximo. Eu ja arregalei olho! Que loucura! Eu tinha acabado de ver uma série  de um cara obcecado que vigiava  e sabia de todos os passos das mulheres  com quem ele saía. Até  matava elas... Ando desconfiada  de todos depois  dessa série. Mas, enfim! Conversa vai, conversa vem descobri  que  tínhamos  estudado  juntos. Mesmos professores,  time da escola, pois éramos  do esporte  e que ele era aquele  cara que eu achava o máximo  jogando, mas que  nunca tinha me dirigido  a palavra. Dos meus 13 aos 14 anos eu achava ele um dos melhores jogadores, mas também  o mais "mala", convencido e chato. Trocamos mensagens  por um bom tempo, todos os dias. Num dia qualquer, eu estava com uma amiga bebendo, conversando, ouvindo música  e ele me mandou mensagem. Conversa  vai, conversa vem e decidimos  nos ver, naquela hora mesmo... era cerca de 1h da madrugada. Despachei  a amiga  e fiquei no sofá esperando por ele, que só  ia tomar banho e vinha me ver.  De repente "PQP!!" Acordei 4:35 da manhã aconchegada no sofá! Olhei o celular  e tinha ligação perdida e mensagens  dele dizendo "não vai responder?"

Cara! Que vacilo!!! Mandei mensagem assim que acordei, mas ele tava meio bravo, também  pudera né? Eu ri da situação e expliquei pra ele  o que houve, mas como eu disse na descrição, ele tinha cara de marrento e era mesmo, me deu uma bela ignorada. Paciência, pensei.

Como tenho uma bela relação com a minha filha e ela tava sabendo das minhas conversas, comentei  com ela toda a história  e ela resumiu tudo  numa única  frase: " Perdeu o boy dos anos 80"
 

Leia também:  Enquanto você não vem...

terça-feira, 9 de julho de 2019

O cachorrinho fiadaputa (Ep02)

Parem de romantizar a adoção! Esse bichinho aqui nem foi adotado, nem tem nome ainda e está se sentindo muito a vontade na minha casa. Chegou cabisbaixo, com a cara sofrida. 

Na primeira semana nem dava perceber que tinha um bichinho em casa, mas nessa segunda semana..... esse bicho endoidou. Ele fica batendo na porta logo que amanhece, e enquanto eu não apareço ele não pára. Cara, eu tô de férias e só preciso dormir e descansar. Sem contar que não sei o que fazer com essa criaturinha, pois ter um bichinho requer muitos cuidados e tempo.

Afff, tem um monte de cocô no quintal e alguém, que sou eu, tem tem que limpar. Depois de tudo limpo, ele pegou uma bolinha de tênis e sugeriu que eu jogasse pra ele. É uma peste mesmo né? Brinquei um pouco e voltei pro quarto. Um grande silêncio e desci pra ver o que ele estava aprontando e claro que estava!! Estava comendo uma bolsa térmica que estava guardada no cesto da lavanderia. Engrossei a voz e dei uma bronca daquelas, ele sabia que tava errado, colocou o rabinho entre as pernas e ficou na caminha improvisada até eu terminar de juntar a sujeira reclamando e esbravejando com ele.
Terminei e falei que estava de mal dele. Agora ele esta ali, olhando pra janela do meu quarto com essa cara que não decifrei o que significa.


domingo, 7 de julho de 2019

O cachorrinho fiadaputa...

Voltando de um alegre happy hour junino, me deparo com um ser no meu portão. Era um bichinho todo estrupiado, com a cara triste de quem tinha sido atropelado. Eu olhei e disse: Você tá morrendo? e é claro que ele não me respondeu. Chamei minha filha e meu sobrinho que estavam em casa para me ajudar com o bichinho. Armamos uma caminha pra ele e demos água. 
No dia seguinte fui observar o nosso inquilino e a  sua patinha traseira estava machucada. Fucei e não estava quebrada, somente luxada, acho. Enfim, publiquei sua foto pedindo que localizassem os donos pois ele tinha coleira.
Esse bichinho tinha uma tristeza no olhar, e tinha uma coleira  por isso procurei os donos... ele não latia, não chorava, não comia.... Comprei ração e seguimos com ele. Na primeira semana ele mancando escolheu a lavanderia para ficar. Levei a caminha improvisada e deixei ele se instalar lá. Saímos de casa e quando voltamos, ouvimos um latido bravo que quase me impediu de entrar, era o doguinho protegendo o espaço, quando viu que éramos as donas da casa ele saltitou. Ué, cadê a patinha machucada? Bem, ele deve ter se lembrado depois, pois saiu mancando. Ok, segunda semana e dormi com a janela da sala aberta para arejar, pois vive fechada.  Acordei e senti um silêncio, desci a escada e latiram pra mim... sim, o peste pulou a janela e estava deitado no meu sofá novo!!! Brava, coloquei ele pra fora e segui o dia.  De madrugada, lá pelas 3 da manhã, um chororô e minha porta de alumínio sendo arranhada, era o dog querendo entrar. Desci, dei uma bronca e mandei ir se deitar. Caramba, as 8 da manhã lá estava ele reclamando de novo... desci, fui colocar comida e voltei a dormir. Isso se repetiu por um dois dias... eu que sou uma humana de bom coração, mas sem paciência, acordei com o quintal todo cagado. Aproveitando a água da máquina de lavar,  abri o portão pra lavar o quintal do lado de fora, e ele  aproveitou e saiu ... lavei o quintal como se nada tivesse acontecendo e fechei o portão. Não se passaram nem 5 minutos e quem estava lá no portão?? Sim, o Doguinho. No final da tarde, fui ao mercado com minha filha e levamos o lixo pra fora. O bichinho saiu de novo e dessa vez eu avisei a minha filha que disse:"mãe, vamos ver o que ele faz". Fomos ao mercado e ele ficou na rua. Quando voltamos, quem estava no portão?? Sim, esse arrombadinho "fiadaputa". Hoje, descobri que ele arranhava a porta porque estava com frio. Fiz uma roupinha com uma calça de lã pra ele e ele não perturbou na madrugada nem durante o dia, pois estava aquecido. Como não percebi isso antes?? Agora estou neste dilema, preciso que alguém cuide dele por uma semana até que eu volte de viagem. Se isso acontecer, eu adoto!

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Mas o seu dia foi muito cansativo... A resposta.


Hoje te acordei  atrasada porque  eu perdi a hora. Esperei o horário  da segunda aula para ver você  entrando na escola. Seu dia foi  cansativo de novo, só  que desta  vez não  tinham muitos  "stories" postados, somente  alguns. Nos falamos pouco  pelo celular, mas você respondeu que leu meu bilhete.

Cheguei  mais cedo da aula hoje, pois só  fui pegar resultados de provas. Me deparei  com a pia sem louça para lavar, mas o escorredor  estava  parecendo uma armadilha com  as louças que lavei ontem a noite  somando com o que  você usou hoje. Até  aí  tudo  bem, mãe  gosta  de por um defeitinho. Fui até  o quarto e que surpresa,  até  aquele canto estava quase todo arrumado e, achei outro bilhete: 



Você estava  acordada mexendo  no celular. Não me esperava  tão  cedo. Eu ainda chateada respondi o bilhete por meio de uma conversa. Te disse que no próximo semestre ia te mudar  de escola, já  que a escola  atual tá  sendo cansativa. Você já ameaça  chorar, mas ouviu sem discutir o que eu  reclamava. Somos só  nós  duas e temos  que nos ajudar. Se eu não  te cobro responsabilidades, o mundo fará  isso de uma forma  cruel. Ouvi seu  choro e enquanto eu falava você dormiu. Não  deu tempo  de te dar  boa noite. Se eu peguei  pesado  com as palavras vou te dar a chance  de me dizer, pois sempre  fui  aberta  ao diálogo. Tô  aqui deitada  com você e te abraçando. Seu dia foi cansativo, reconheço. Te amo muito e sim, estou  em paz  agora.

Leia  Mas o seu dia foi muito cansativo...

Jesus vem de UberX

Datilografia dá futuro, inglês não!

É minha gente, eu tava aqui pensando e voltei a escrever (idas e vindas fazem parte). Quando eu tinha 13 anos, eu pedi para  minha mãe pagar...